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Com peso perto dos
140k, o ex-campeão mundial dos pesados Riddick Bowe vem encontrando
uma forma nada digna de amealhar dinheiro. Misturado a comerciantes
de toda sorte de produtos, ele está vendendo autógrafos e luvas de
boxe para sobreviver. Os preços variam de US$ 35 por um autógrafo e
US$ 60 pelas luvas com sua assinatura. Não é raro encontrá-lo
sentado em uma cadeira de madeira na cidade de Nova Jersey à espera
de fãs e curiosos para levar dinheiro para casa.
Dono de cinturões unificados AMB, CMB e FIB, após derrotar o
compatriota Evander Holyfield, em 1992, Bowe esteve no topo do
mundo. Exatamente uma temporada depois, perdeu para o mesmo rival.
Voltou a ostentar um cetro em março de 95 (desta vez da OMB) ao
nocautear o até então invicto Herbie Hide, britânico de origem
nigeriana. Manteve o título três meses depois ao superar outro
invicto, o cubano Jorge Luiz Gonzalez.
Uma de suas manchas foi ter atirado o cinturão do CMB no lixo, após
se recusar a defendê-lo diante do britânico Lennox Lewis. À época
muito se especulou sobre um possível “medo” de Bowe em se encontrar
novamente com o rival que o havia derrotado por nocaute na final dos
Jogos Olímpicos de Seul, na Coreia do Sul.
Em 96, porém, Bowe resolveu deixar os ringues e se juntou aos
reservistas da Marinha norte-americana, onde ficou poucos dias. O
apelido de “Grande papai” caiu por terra quando foi cumprir pena de
18 meses de prisão, ao ser acusado de violência doméstica contra a
mulher e os cinco filhos. Mesmo dono de uma fortuna estimada em US$
15 milhões, pediu falência à Justiça de seu país.
Nas últimas temporadas fez lutas esporádicas. Em 2004, superou
Marcus Rhode por nocaute técnico; no ano seguinte, derrotou Billy
Zumbrum em decisão dividida dos jurados, apresentando 127k na
balança. Sua última aparição ocorreu em dezembro do ano passado, na
Alemanha, quando derrotou por pontos o germânico Gene Pukall para
ganhar US$ 30 mil.
Com 41 anos e apenas um revés em sua longa carreira, Riddick Bowe
(43-1-0, 33 KOs e um combate sem decisão) diz que não sabe fazer
nada além do boxe. A todos que o procuram ou o encontram pelas ruas
ele deixa escapar que “precisa lutar”. Por enquanto nenhum promotor
tem combate agendado para ele. |