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Com títulos de campeão do mundo em
duas categorias no currículo, o espanhol Javier Castillejo confirmou
sua aposentadoria. Depois de conversar com seu preparador, a família
e as pessoas que “me querem bem”, o atleta disse que todos chegaram
à conclusão de que ele já fez tudo o que poderia dentro dos ringues.
“Fiz mais do que queria e imaginava. Graças a Deus consegui tudo”,
informou o espanhol.
Aos 41 anos, sendo que 21 temporadas dedicadas ao profissionalismo,
Castillejo desejava mais um combate. No último mês de abril, ele
empatou com o compatriota Pablo Navascués e, ao descer do tablado,
fazia planos para uma despedida com muita festa. Entretanto, seu
preparador e “sombra”, Ricardo Sanchez Atocha, sugeriu que ele
parasse, a despeito de seu vigor físico para um quarentão.
O “Lince de Parla”, apelido que recebeu dos amigos na juventude,
recorda a carreira em um misto de doçura e amargura. “O boxe me deu
tudo na vida: saúde, estabilidade, dinheiro, fama, respeito e
títulos. Porém, se tivesse nascido na Inglaterra, Alemanha ou
França, certamente eu teria recebido o equivalente à condecoração de
Príncipe das Astúrias do Esporte (a maior consagração esportiva de
seu país)”, declara com resignação. “Não sei por que não me
outorgam”, finaliza o maior pugilista espanhol de todos os tempos.
Javier Castillejo (62-8-1, 43 KOs e mais duas lutas sem decisão) foi
campeão do mundo dos supermeio-médios (69,8k) em 1999 ao suplantar
Keith Mullings. Perdeu o cinturão dois anos depois para Oscar de La
Hoya, mas recuperou o cetro interino no ano seguinte. Três
temporadas depois, ganhou por nocaute do alemão Felix Sturm e
abocanhou o cinturão dos médios (72,5k) da AMB. Ele ainda não
decidiu o que fazer, mas revela que pode montar uma academia para
ensinar os jovens o esporte que o consagrou. |