Liga Paulista de Boxe Profissional

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Cotto quer Margarito longe dos ringues
29/Mar/09
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Miguel Cotto deseja punição mais severa para rival

“Ele nunca mais deveria pôr os pés em um ringue”. São com palavras duras que o portorriquenho Miguel Cotto continua a criticar o mexicano Antonio Margarito, após o episódio em que tanto o rival quanto seu treinador, Javier Capetillo, foram suspensos por um ano pela Comissão Atlética do Estado da Califórnia.

Quando defendeu e perdeu o cinturão dos meio-médios (66,6k) da AMB diante do americano Shane Mosley no último mês de janeiro, Margarito teve aprendidas as bandagens que seriam utilizadas em suas mãos por supervisores da comissão da Califórnia. Há fortes suspeitas de que o material contém gesso líquido.

Para Cotto – que havia perdido o cinturão para Margarito em julho do ano passado – o rival “não só jogou contra minha saúde como também com a saúde de outros boxeadores”. O atleta de Porto Rico revela que “só Deus sabe como tenho recebido golpes duros em minha carreira esportiva, mas eu nunca tive meu rosto inchado como no confronto com Margarito”.

Inconformado com as denúncias que pairam sobre as possíveis ilegalidades nas bandagens de Margarito, Cotto relembra que “no calor daquela luta eu não sentia os socos, mas a minha cara não disse isso. Entendo que um ano de suspensão não é muito para o ato provocado por Margarito em seu confronto contra Mosley. Ele merece uma punição tão severa quanto o técnico Carlos ‘Panamá’ Lewis”, desabafou Miguel Cotto.

Irregularidades

A lembrança do nome de Panamá Lewis não foi à toa. Ele é um treinador muito conhecido e altamente controverso e que atingiu sua maior notoriedade na década de 1980 do século passado. No início daqueles anos, estava no mesmo patamar de nomes lendários como Emanuel Steward e Lou Duva. Porém, um fato até hoje muito contestado o colocou como pessoa ligada a irregularidades.

Em novembro de 1982, Lewis dirigia o americano Aaron Pryor, campeão dos superleves (63,5k) em um combate muito equilibrado contra o nicaraguense Alexis Arguello. Pryor parecia não ter mais forças quando, no fim do 13º round, Lewis pediu a um de seus assistentes para lhe entregar uma garrafa que não era de água, mas sim com alguma mistura preparada por ele mesmo. As imagens e o som foram capturados pelas câmeras da HBO.

No 14º giro, Pryor reuniu novas energias e nocauteou Arguello. Os rumores davam conta de que o frasco continha estimulantes ilegais, mas Panamá Lewis negou tudo e disse que a garrafa continha somente água Perrier (de origem francesa) e de torneira. Mesmo sem provas oficiais, o incidente manchou sua reputação.

Suicídio?

O mais famoso incidente da carreira de Lewis ocorreu em junho de 83. Ele dirigia o portorriquenho Luis Resto quando do encontro contra o até então invicto e bastante promissor americano Billy Collins Jr., em uma das preliminares de Roberto “Manos de Piedra” Durán e Davey Moore. Resto venceu por decisão unânime após 10 roundes e, em atitude desportiva, o pai e treinador de Collins Jr. se dirigiu ao vencedor de seu filho para levantar suas mãos. Para sua surpresa, ele percebeu que as luvas de Luis Resto estavam “mais magras” que o normal.

Ele passou a gritar e chamou a atenção dos supervisores da Comissão Atlética de Nova York, para que as luvas fossem apreendidas. As investigações comprovaram que os equipamentos estavam com uma onça a menos de estofamento. Havia também um pequeno buraco de pouco menos de uma polegada na região da palma da mão de cada luva. Collins Jr. sofreu cortes acima e abaixo dos dois olhos, sendo que um mais grave em uma das íris. Pelo fato de ficar com a visão turva, foi obrigado a abandonar o esporte.

Após o inquérito, a Comissão de Nova York determinou que Panamá Lewis havia adulterado as luvas. Em 1º de julho revogou definitivamente a licença de Lewis para atuar naquele estado, em que foi seguida por todas as outras comissões dos Estados Unidos. Posteriormente, o resultado do combate Resto-Collins Jr. foi considerado sem decisão.

As punições não pararam por aí. Em outubro de 86, Carlos “Panamá” Lewis e Luis Resto foram a julgamento e considerados culpados de assalto, posse de arma criminosa (adulteração de luvas) e conspiração. Lewis ainda foi considerado culpado por adulterar uma competição esportiva, já que os promotores alegaram que Lewis havia deliberadamente retirado o estofamento das luvas, prejudicando sensivelmente Billy Collins Jr. A condenação de Lewis foi de seis anos de prisão e a de Resto três, sendo que ambos cumpriram pena de dois anos e meio antes de serem libertados.

collins morreu nove meses depois da luta após seu carro ter caído em um penhasco. Ele tinha apenas 22 anos. Muita gente, contudo, acredita que ele suicidou-se, pois nunca mais pôde subir a um ringue para lutar, devido às lesões causadas pela ação nefasta de Lewis e Resto. Muitos anos depois, o próprio Luis Resto admitiu que sabia que seu antigo treinador havia mexido nas luvas naquela oportunidade, como também havia colocado suas mãos, já com bandagens, embaixo de gesso líquido para aumentar o poder de seus golpes.

Apesar de sua ligação em um dos piores escândalos da história do boxe, Carlos “Panamá” Lewis pôde atuar com treinador, porém, sem jamais poder atuar como técnico em cima de um ringue em lutas oficiais. Após a punição, ainda estiveram como seus pupilos os pesados Tony Tucker e François Botha. Em 2002, ele voltou ao noticiário, quando foi chamado pela equipe de Mike Tyson para ser conselheiro antes do confronto com Lennox Lewis pelo título mundial. Tyson perdeu por nocaute.