Liga Paulista de Boxe Profissional
"Comissão-membro da AMB-Associação Mundial de Boxe"
Maidana sensacional

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Após ser derrotado por pontos na Alemanha para Andriy Kotelnik em fevereiro desde ano em luta que teve em disputa o título AMB dos meio-médios ligeiros, pensei que aceitar a programação de Marcos “El Chino” Maidana contra Victor Ortiz na Califórnia fosse equivocada por parte da empresa alemã Universum Boxing, a detentora do contrato com o pegador argentino. Claro que o plano da Golden Boy Promotions era levar o norte americano ao título interino da Associação Mundial de Boxe que entrou em jogo no combate entre ambos. Não me escrevam perguntando como. É óbvio! O poder da companhia de Oscar De La Hoya é enorme na esfera do pugilismo. O que não era esperado, por eles e por mim, confesso, foi o tamanho da garra, da valentia, da bravura e do coração do extraordinário boxeador platino. A festa foi preparada para Ortiz, outro grande lutador. Teve direito a sua triste história no interior dos Estados Unidos ser contada e exibida pela importante rede de TV HBO, a parceira habitual das noitadas promovidas pela GBP. O enredo não seria novo: um touro bravio sendo esgrimado e vencido aos poucos pelo pugilista completo. Contudo, assistimos um cotejo que deverá entrar para a relação das mais dramáticas lutas deste século. Maidana começou como sempre faz: apertando e esbordoando como e aonde pode. Um erro tremendo que levou aos contornos que já citei. Ortiz não é uma galinha morta. Muito pelo contrário! Foi esquivando, se defendendo e contragolpeando até acertar um gancho de direita na mandíbula que levou o “chinês” à lona. Primeiro assalto. Pulei do sofá e falei sozinho: - “Já era.”. Ledo engano. O menino de Santa Fé, a terra do lendário Carlos Monzón, respirou e esperou o que muitos devem ter dito ser a carga final. Pôs a cabeça para a sua esquerda e conectou um devastador direto de direita. Victor Ortiz caiu de costas. Continuei em pé e disse um palavrão. O ianque mostrou raça e agüentou até o soar do gongo. O segundo round começou como o inicial. Maidana se jogando para a frente atirando golpes para acabar o combate. Ortiz toureando-o e batendo em contragolpes. Um destes, um cruzado, derrubou novamente o argentino que, ainda grogue, respondeu à contagem de oito do árbitro Raul Caiz. Saraivada de murros e nova queda. Parecia o fim da luta. Alguns clinches até o barulho da campainha. O script mudou a partir do terceiro. Marcos cauteloso e Victor buscando ações que o levaram a vencer o capítulo. No quarto período foi a vez do sul americano acertar para marcar 10 a 9. O quinto mostrou o visitante determinado a sair com o triunfo. O ferimento na maçã esquerda do rosto parecia que não o incomodava. Neste episódio acertou mais bombas e abriu o supercílio direito do, também garoto, californiano. Pouco antes de acabar, Ortiz ficou nos calcanhares ao receber um diretaço de direita. Naquele intervalo meu sentimento era que o combate havia virado inapelavelmente. Seria questão de tempo se Ortiz não aprontasse algo. No corner mostrou-se surpreso quando seu treinador falou que pararia com as escaramuças se não visse sua guarda alta e movimentação. O sexto assalto exibiu o pegador demolindo sem piedade. A segunda queda do americano serviu para o médico ser chamado para ver o ferimento, que acabou sendo determinante para o nocaute técnico. O futuro reserva para Marcos Maidana o campeão AMB de fato, que deverá sair da luta de Kotelnik com o britânico Amir Khan. Encontro programado para 18 de julho em Manchester, Inglaterra. Jorge Luiz Tourinho, 53 anos, jornalista, ex-colunista do Hora do Povo, Jornal dos Sports e editor do Panorama do Boxe Brasileiro. |
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